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Como escolher o nicho (e por que "todo mundo" não é nicho)

· 3 min de leitura

A pergunta parece estratégica: "qual nicho dá mais dinheiro?". E leva à resposta errada quase sempre, porque nicho não é onde tem mais dinheiro — é onde a sua frase encontra alguém que se reconhece.

Por que amplo não funciona

"Meu produto é para quem quer emagrecer."

Quem quer emagrecer são dezenas de milhões de pessoas com situações que não têm nada a ver entre si: a mulher no pós-parto, o homem de 50 com pressão alta, a adolescente, o atleta.

Uma frase que serve para os quatro não emociona nenhum. E o que faz alguém comprar é ler algo e pensar "isso é exatamente eu".

Compare:

  • Guia de emagrecimento saudável
  • Como voltar a caber nas suas roupas depois do segundo filho, cozinhando o mesmo que a família come

O segundo exclui 95% do mercado. E converte muito mais, porque os 5% que sobram sentem que foi escrito para eles — porque foi.

O teste de três perguntas

1. Você consegue nomear a pessoa?

Não o segmento: a pessoa. Idade aproximada, o que faz do dia, o que a incomoda especificamente. Se sai vago, o nicho ainda está largo.

2. Ela já procura solução?

Nicho bom tem gente já buscando. Se você precisa primeiro convencer que o problema existe, você não tem um nicho — tem um projeto de educação de mercado, que é caro e lento.

3. Existe dinheiro circulando ali?

Já existem produtos, cursos, livros sobre isso? Concorrência assusta e é o melhor sinal que existe: mercado sem concorrente costuma ser mercado sem comprador.

O erro de escolher pelo dinheiro

Nichos "quentes" — finanças, emagrecimento, renda extra — pagam bem e são os mais disputados. Entrar neles sem diferencial é competir com quem tem orçamento de anúncio e anos de audiência.

E tem um segundo problema, menos comentado: você vai escrever sobre isso por meses. Se o assunto te entedia na terceira semana, o projeto morre por abandono, não por falta de mercado.

O cruzamento que funciona

O melhor nicho costuma estar no encontro de três coisas:

  1. Algo que você já sabe — por profissão, por experiência, por ter resolvido para si.
  2. Alguém com o problema que você teve.
  3. Um recorte específico dessa gente.

Exemplo: você é enfermeira, sabe de escala de plantão, e faz um material sobre organizar a rotina de quem trabalha por turnos. Público pequeno, dor real, e ninguém entende disso melhor que você.

Um recorte não é para sempre

Começar estreito não é limitar o futuro. É começar por onde dá para ganhar.

Você entra pelo recorte, constrói público, aprende a vender — e depois amplia. O caminho inverso, começar amplo e depois estreitar, quase nunca acontece: sem tração inicial não há de onde partir.

O sinal de que você acertou

Você consegue escrever a frase abaixo sem hesitar, e ela é específica o bastante para alguém se ofender por não ser o público:

É para quem [situação bem concreta] e quer [resultado bem concreto].

Se ninguém poderia se sentir de fora, ainda não é nicho.


Na Soan.ia o assunto é a única coisa que a plataforma não escolhe por você — e é a que mais decide o resultado. Quanto mais específico você for, melhor sai tudo o que vem depois.