Página de vendas não é redação. É uma conversa em que a outra pessoa pode ir embora a qualquer momento, e vai, no instante em que ficar confusa.
Por isso a ordem dos blocos importa mais que a beleza das frases. Cada bloco existe para responder uma pergunta que a pessoa está fazendo naquele exato momento — e responder fora de hora é o mesmo que não responder.
Os sete blocos, na ordem
1. A promessa (pergunta: "isso é sobre o quê?")
Uma frase. O que a pessoa vai conseguir, em quanto tempo, apesar de qual obstáculo.
Aprenda a fazer pão de fermentação natural em casa, em três semanas, sem forno profissional.
O erro clássico é começar por você — "há dez anos eu trabalho com...". Ninguém chegou ali para saber de você. Chegou para saber de si.
2. Para quem é (pergunta: "isso é para mim?")
Duas ou três linhas descrevendo a pessoa. Quanto mais específico, mais gente se reconhece — parece contraditório e não é.
"Para quem quer empreender" não gruda em ninguém. "Para quem já vende bolo pelo WhatsApp e trava na hora de cobrar mais caro" faz alguém pensar é exatamente eu.
3. O problema (pergunta: "você entende o que eu estou vivendo?")
Descreva a situação atual dela sem julgamento. Este é o bloco que constrói confiança, e é o mais pulado.
Se a pessoa lê a descrição do problema e pensa "é isso mesmo", ela assume que você tem a solução. Se você pula direto para a solução, ela ainda está avaliando se você entendeu a pergunta.
4. O que tem dentro (pergunta: "o que eu recebo?")
Lista concreta. Número de páginas, número de aulas, o que cobre cada parte.
Aqui é onde vale ser chato de tão específico. "Material completo" não diz nada. "48 páginas, 12 receitas, tabela de conversão de medidas" diz.
5. O preço (pergunta: "quanto?")
Sem rodeio e sem esconder. Página que não mostra o preço faz a pessoa sair para não descobrir depois que não podia pagar — e ela não volta.
Se você quiser ancorar, ancore em algo verdadeiro: o que custaria fazer sozinho, o tempo que economiza. Comparação inventada com curso de R$ 2.000 que não existe queima a página inteira.
6. A garantia (pergunta: "e se não for bom?")
Compra de desconhecido na internet trava por medo, não por preço.
Diga o prazo, diga como pede o dinheiro de volta, e não coloque pegadinha. Garantia com letra miúda é pior que garantia nenhuma, porque a pessoa sente a armadilha mesmo sem ler.
7. O botão (pergunta: "e agora?")
Um botão. Repetido três ou quatro vezes ao longo da página, sempre com o mesmo texto.
O texto descreve o resultado, não a transação: "Quero o material" converte melhor que "Comprar". E o que acontece depois do clique tem que estar escrito ali do lado — "você recebe o acesso no e-mail em até 5 minutos".
O que tirar
- Depoimento inventado. Some com a credibilidade e, no Brasil, é infração ao Código de Defesa do Consumidor.
- Contador regressivo falso que reinicia quando a página recarrega. Todo mundo já percebeu.
- "Últimas vagas" em produto digital. Não existe vaga em arquivo que se copia.
- Promessa de ganho. "Ganhe R$ 5.000 por mês" não é ousadia de marketing, é o tipo de frase que derruba anúncio e atrai processo.
Uma regra de tamanho
Produto até R$ 47: página curta, cabe numa rolagem de celular. A pessoa decide por impulso e texto longo dá tempo de ela desistir.
Produto de R$ 97 para cima: página longa. Aqui ela quer ser convencida, e cada objeção não respondida vira um "depois eu vejo" que nunca chega.
O teste final
Leia a página em voz alta, do começo ao fim, num celular.
Se você se entediar antes do fim — e você é a pessoa mais interessada nesse produto no mundo — corte até parar de se entediar.
A Soan.ia escreve essa página sozinha, na mesma ordem, a partir do produto que você criou. Você revisa e publica. O que ela não faz é adivinhar o público: quanto mais específico for o assunto que você escolher, melhor sai o texto.